sábado, 1 de dezembro de 2012

''Relacionamento: o código dos íntimos''


Perto, mas não muito

Tudo começa pelo conhecimento mais profundo do outro, e essa aventura não é tão fácil como parece. Se nos aproximamos exageradamente, o risco é tomar a parte pelo todo e tirar conclusões falsas. Segundo Diana Corso, funciona como na parábola em que quatro cegos tentam descrever um elefante com base na parte que apalpam. Assim, o que toca a tromba o considera parecido com uma serpente; o que mexe na pata pensa que é um tronco; o que apalpa o corpo imagina uma montanha móvel; e o que fica com a presa jura que o bicho é como uma espada. “Quando nos distanciamos um pouco para ter uma imagem geral da pessoa que amamos, oferecemos a ela o espaço de que precisa para se revelar, mas também para silenciar e omitir, ir e vir.
 Assim, abrimos mão dos detalhes e do controle minucioso sobre ela”, afirma Diana. Nos dias apressados em que vivemos, existe um equívoco clássico: confundir aproximação sexual com intimidade. A intimidade pode incluir o tesão, mas vai além dele: é um país que já anexou outros territórios. “Que ninguém espere por uma cumplicidade súbita, imediata”.É um processo, exige tempo e está associada àquilo que é verdadeiro. Esse é o momento em que certas máscaras usadas na conquista são deixadas de lado e sobram apenas duas pessoas de coração aberto, uma admirando a outra – de pijama, de manhã cedo, de mau humor, de ressaca ou sem maquiagem”. Mas não só! Ninguém duvida de que existe uma alta carga erótica na parada. Às vezes, um beijo desperta um desejo que só estava esperando aquela faísca para se manifestar. Intimidade é captar a intenção na faísca.” 
Intimidade exige boa comunicação, mas é muito comum que, na falta de ambas, a gente acuse o parceiro de estar distante, fechado, frio. O problema é que essa atitude só aumenta a distância – o acusador acha que o problema é do seu par e fica apontando falhas “de fora”. O dicionário Aurélio não deixa dúvida: íntimo é aquele que está dentro, que atua no interior. Se isso se rompe, o silêncio começa a pesar. Não se trata mais de uma quietude confortável, mas de mágoa, indiferença ou pura falta de interesse nas histórias do companheiro, o que é mortal. A dificuldade de comunicação é problema na certa – não são só as palavras que se calam, o código secreto de olhares e toques dos antigos amantes se desativa. Quando um não tem mais nada a dizer para o outro, a intimidade acabou. O casal pode continuar na mesma casa, mas algo precioso se perdeu ali. Pode notar: os casais íntimos se comunicam de um modo particular. Essa linguagem é feita de olhares insinuantes e dialetos engraçados. Mas o cotidiano também é decisivo na construção de um repertório comum. 
Relações antigas podem esfriar, mas mesmo os romances quentes correm riscos. A mulher loucamente apaixonada, por exemplo, fica ansiosa, ciumenta, quer provas de amor incessantes. Cuidado: a ansiedade e a mania de controle são os grandes inimigos da intimidade, em geral, lemos cada manifestação do nosso amado como naquela brincadeira de ‘bem me quer, mal me quer’, tentando comprovar que somos correspondidas e vigiando qualquer sinal de descaso. E quando dizemos ‘Eu te amo’, o que mais nos interessa é o ‘Eu também’.” Calma. Impossível amar e ser íntimo à força ou às pressas. Por isso tanta gente reclama que se sente invadida. 

Intimidade é...

• Duas pessoas de coração aberto. De pijama, de manhã cedo, de mau humor, de ressaca ou sem maquiagem.
• Sentir confiança para mostrar seus medos.
• Amar e odiar o outro ao mesmo tempo. E sobreviver a isso.
• Enfrentar as dificuldades juntos.
• Inventar um idioma secreto de amor. E treinar o idioma.
• Perceber quando é melhor ficar na sua e deixar o outro em paz.
• Adivinhar desejos, captar a faísca antes do fogo.
• Um jogo da amarelinha: se pisar na casa errada, tem que voltar ao início.
• Assistir a um programa de televisão comendo uma caixa de chocolate juntos. E depois queimar as calorias fazendo sexo selvagem.
(Texto tirado da net, Revista Claúdia)

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